sábado, 15 de agosto de 2020

A Enxada e a Caneta

ZICO E ZECA 
DECLAMADO
"Certa vez uma caneta foi passear lá no sertão
Encontrou-se com uma enxada, fazendo uma plantação.
A enxada muito humilde, foi lhe fazer saudação,
Mas a caneta soberba não quis pegar na sua mão.
E ainda por desaforo lhe passou uma repreensão."

Disse a caneta pra enxada não vem perto de mim, não
Você está suja de terra, de terra suja do chão
Sabe com quem está falando, veja sua posição
E não se esqueça a distância da nossa separação.

Eu sou a caneta dourada que escreve nos tabelião
Eu escrevo pros governos a lei da constituição
Escrevi em papel de linho, pros ricaços e pros barão
Só ando na mão dos mestres, dos homens de posição.

A enxada respondeu: de fato eu vivo no chão,
Pra poder dar o que comer e vestir o seu patrão
Eu vim no mundo primeiro, quase no tempo de Adão
Se não fosse o meu sustento ninguém tinha instrução.

Vai-te caneta orgulhosa, vergonha da geração
A tua alta nobreza não passa de pretensão
Você diz que escreve tudo, tem uma coisa que não
É a palavra bonita que se chama educação!

1 comentário:

  1. O DESCARTE DA CANETA

    Caneta. A cada dia o seu descarte vai se consolidando. O seu estado é intrigante. Literalmente falando você está em coma.
    Se a caneta soubesse que está prestes a ser descartada, posta de lado e extinta, ao expirar, suas derradeiras palavras sairiam suprimidas, mas mesmo assim ficariam escritas, registradas e, bem legíveis. A saber: “Não me deixe morrer. Ai”!

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Agradecimentos

Eu sou o influênciador digital José Pimenta dos Reis. É assim que eu me vejo. Amo o trabalho que faço. Em meus serões com a escrita, ...